A gratidão

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A vida me deu de presente, na época da faculdade, amigas dessas que a gente guarda naquele porta-joias com pedrinhas de brilhante herdado da bisavó. E uma delas sempre trilhou um caminho bem corajoso de viajar pra dentro de si mesma em busca do auto-conhecimento e espiritualidade. Foi dela que ouvi, pela primeira vez, a palavra gratidão em seu verdadeiro e mais puro sentido. Por essa nossa mania cruel de pré julgar tudo o que é diferente a primeira vista, a troca de “obrigada” por “gratidão” em nossas conversas me soou pra la de gíria hippie jagatá. Pobre de mim e de da minha falta de sensibilidade!

Foi então que o tempo veio me dando a clareza do entendimento, bendito seja meu camarada. A gratidão é um lance tão grande que a gente demora mesmo pra sacar o que é, que não se compra ou pede emprestado, só existe se for genuíno.

Eu venho pensando muito nisso, venho me aproximando da gratidão de forma já nem tão tímida e percebendo que ela tá muito mais na minha vida do que imaginava. Outra surpresa foi dar de cara com ela nos momentos de perrengue, em todos. A medida que reconhecemos os sentimentos, vamos, inevitavelmente, fazendo conexões entre eles e acreditando que cada um tem seu porque no todo (até aqueles fédazunha de doído tem!). Daí pra achar o diamante no meio das pedras é um pulo! Agora me diz se esse sentimento não é tão nobre que mereça gratidão? Tomar tapa na orelha e achar bonito parece utopia, mas outro dia li não sei onde algo tipo “pra que serve a utopia se ela mora no horizonte e esse é inatingível?” E a resposta era: “pra caminhar”. É isso! Se tudo vale a pena quando a alma não é pequena, beibe, segura na mão da utopia e vai.

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Ser grata pelas coisas e pessoas que somos é meio que dizer sim pra vida, é dar carta branca pra ela continuar esse fluxo mágico e doido de experiências que nos empurram degrau acima numa evolução necessária. Gratidão é uma carta de amor ao universo e dá pra escrever uma por dia, mas isso também é uma escolha. Eu gosto de pensar que o caminho pode ser sempre mais leve e que, se essa possibilidade existe, prefiro desprender minha energia nela. Talvez seja por isso que encher o peito de gratidão e espalhá-la pelos cantos da rotina tem me ajudado tanto. Porque quando somos gratos somos mais completos, a gratidão diminui o desconforto da não aceitação.

Mas pra falar que é ou que tem é preciso sentir com verdade, senão é auto boicote. As palavras ganham vida na boca mas, quando não saem lá de dentro, já nascem mortas. E assim é também com a ternura, com a compaixão, com o afeto, com o zelo, com um monte de sentimentos que a gente deixa num canto pegando poeira e se esquece de que juntos sabem ser bem melhores. Juntos eles nos tornam todo dia melhores.

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Aqui na bolha verde a gratidão tá nadando de braçada! Mas não só pela beleza do cenário, pelo alimento orgânico, pela infância livre, pelo silêncio da noite, pela rede na varanda ou pelo sossego no peito. Mas principalmente por ter se mostrado um sentimento tão presente nos momentos de turbulência. Quando a horta dá errado, quando as crianças estão insatisfeitas, quando o coração tá inquieto e pedindo colo, a gratidão aparece ali misturada com uma avalanche de outros sentimentos típicos de crises e caos. E é de uma riqueza sem fim conseguir peneirar essa mistureba toda e separá-la dos demais. Colocá-la ali num cantinho, botar roupa quente e se apegar a ela. Não se apoiar de modo que o restante do processo seja ignorado, mas caminhar ao lado já é um conforto e uma força que a alma agradece.

A gratidão é parceira ponta firme dessa evolução que buscamos para nos tornarmos melhor toda manhã. Sem ela os degraus parecem maiores, os muros mais altos, os cantos mais escuros. Quando ela aparece é sinal de que meio caminho já foi percorrido e que o peito da gente tá aberto o suficiente pra recebermos a clareza e o desprendimento necessário para crescer mais um cadinho.

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Então eu abri a porta de casa e deixei esse sentimento tão bonito entrar. Hoje eu sou imensamente grata por tudo o que a gente tem vivido, e tudo quer dizer a parte doce e a azeda também. Uma coisa ajuda e complementa a outra, só se sabe o que é escuro porque existe o claro. E eu quero mais é soltar mil cartas de amor ao universo a vida inteira, sejam elas cheias de sorriso largo ou de chororô. O importante é que nunca me faltem motivos pra ser grata, pra saber honrar esse sentimento e a vida que tem me ensinado tanto entre um tapa aqui e um beijo ali.

Camila, irmã jagatá que eu amo tanto, minha eterna gratidão por esse encontro!

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O sumiço – II

 

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Sumimos, né?

É que o mundo subiu no telhado por aqui, árremaria!

A gente tá num momento de reorganizar as gavetas, tirar poeira, jogar água, colocar coisa nova no lugar das velhas, repensar, transformar. E esse momento tá pedindo um silêncio, uma calmaria no ninho, atenção redobrada pra tudo aqui dentro.

Então peço desculpas pelo sumiço e prometo que logo a gente volta com alguma coisa a dizer sobre mais esse momento que estamos vivendo aqui.  Também não me esqueci dos comentários que ainda não respondi, uma hora eu chego, tá?

Gratidão pelo carinho que voa até aqui todo dia, essa energia boa que rola faz um bem danado pra gente!

Um beijo de bom dia em todo mundo!