A casinha do amô – A troca

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Tenho pensado muito sobre as trocas, uma das coisas mais fortes que temos vivido aqui nesse processo lheeeeeeendo! Trocar é alguma coisa que não tem moeda que pague, é verbo que se conjuga na liberdade do doar de peito aberto, é movimento circular na dança do universo. Talvez tenha passado muito tempo dessa vida trocando de forma equivocada, acreditando que o “toma lá da cá” tem que existir baseado no ponto de equilíbrio onde um ganha/doa o mesmo tanto que o outro. Hoje recebo um entendimento diferente, sinto que toda troca é um ato espontâneo de amor, que é como um filete de energia que sai do coração e atinge o coração do outro de forma muito natural. Percebo que as melhores trocas acontecem com esse descompromisso do acaso,  com essa leveza do desejo genuíno de ser e ver pessoas felizes, com essa grandeza da entrega.

Temos trocado muito por aqui, mesmo sem ainda entender o quão grande está sendo tudo e quando conseguiremos assimilar por inteiro todo esse movimento bonito. Temos aprendido um tanto e isso reforça nosso sentimento de que dar e receber a verdade do que se sente, se aprende, se constrói junto é uma coisa de doido e dura pra toda vida. Trocamos muito antes do movimento de construção da casinha começar. Trocamos ideias, saberes, desejos, opiniões, sonhos, realizações, energias, carinho, conflitos, desafios, amor. Trocamos hoje, aqui nesse agora, desde a hora que acordamos até o sol se pôr. Trocamos com a natureza que nos acolhe e com as pessoas que nos cercam também.

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A troca com as pessoas traz outra coisa linda que é a diferença. Aqui tem gente de todo canto, de todo jeito, de toda crença, de toda cultura, de todo sotaque. E é aí que a gente sente por completo o valor da troca, quando as pessoas trazem o novo que revira o seu velho, quando transformam o velho adormecido em novo acordado. A diferença escancara as portas do peito quando você se permite e se entrega sem pré conceitos ou julgamentos ansiosos. E te faz alguém mais completo, mais cheio de entendimento e aceitação, alguém mais rico do que ontem, do que a dois minutos atrás. Sinto que a cada dia que termina parimos um novo pedaço do nosso ser maior, alguma coisa que nos faz mais inquietos, mais abertos a essa transformação que não cansa de acontecer. E nascemos no dia seguinte mais plenos, mais cheios do outro que, na verdade, é nosso reflexo.

Nossa casa já existe, ela é toda a energia que está circulando por aqui, ela é esse agora, essas pessoas que estão conosco, esses braços, pernas e corações que nos enfeitam todo dia, essa troca sem fim que rola a cada minuto de convivência. As paredes, o telhado, as portas, a moradia pronta, vai ser o final de um caminho inesquecível, tem hora que ainda não consigo verbalizar esse movimento todo. Mas sentimos que, mesmo que aconteça um terremoto gigante e a casa caia no chão dois dias depois de construída, ela já vai ter acontecido da forma mais incrível possível. Essa casa é o agora, esse dia, esse instante.

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Trocar é essa energia ancorada no presente. O que eu sinto de te oferecer agora, mesmo que você não tenha nada pra me ofertar nesse momento. A troca é com o universo, acima de qualquer coisa ou pessoa. A gente espalha a purpurina no ar e ela vai enfeitando céu e terra, brilhando no peito de quem tem abertura pra receber. Um dia sopramos essa energia no ar e no outro recebemos, sem data, sem pressa, sem medidas, sem pesos, sem compromissos, sem moedas. Temos aprendido mais e mais sobre isso aqui, com o coração abarrotado de alegria, você nem imaginam quanto!

Então, pra terminar mais um devaneio nosso, sopro nesse vento fresco que vem forte por aqui minha gratidão por tanta troca verdadeira e amorosa. Gratidão a toda essa gente linda que nos ensina tanto, gratidão ao universo que nos tira pra dançar trocando nossos pares com frequência para que possamos aprender novos passos, sem nunca nos perder no ritmo da música. Que a troca seja sempre uma fonte inesgotável de amor, mais do que a espera ansiosa por um retorno imediato! Que seja sempre uma entrega, uma doação, um permitir-se ancorado na verdade do coração.

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Ah! E se você sentir de participar dessa troca linda que tá rolando por aqui, é muito bem vindo! Ainda estamos aceitando voluntários a partir do dia 20 de fevereiro, escreva no mmelofranco@gmail.com. Outra forma de contribuir e fazer parte dessa transformação boa é nos dar um help na alimentação da galera que está conosco, são mais de 120 pessoas que precisam ser bem cuidadas, saco vazio não para em pé, néaaammmmm? Então corre na nossa vaquinha virtual e contribua com o que puder pra engordar a bichana, se sentir que pode! Gratidão e até 🙂

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/alimente-um-voluntario-da-casinha-do-amo

A casinha do amô – O começo

Sol, terra, pedra, mãos e um tanto de peitos abertos!

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Lud, irmã/parceira de projetos, catadora oficial de mangas e guardiã de um sorriso largo incansável.

Tô aqui sentada na grama de frente para a represa abrindo esse diário de bordo que fala de uma das viagens mais lindas que nossa família já viveu até agora: estamos navegando em um barco cheio de gente e amô rumo à realização do nosso maior sonho verde, a casinha sustentável. O sol bate ainda manso na pele, é manhãzinha de vento suave e céu azul. Ouço daqui o som das pedras sendo carregadas na obra, do outro lado do lago onde mais de dez pessoas trabalham na fundação da bioconstrução. As crianças correm pela fazenda colhendo sementes para fazer colares com Kéu e Gabi, queridezas voluntárias que se revezam nos cuidados com os pequenos da comunidade para garantir um dia divertido. Daqui vejo a cozinha de casa cheia de mãos amorosas preparando o almoço delícia de quem sai da obra precisando repor a energia linda que deixou por lá. Essa máquina é coordenada por Bárbara, irmã de alma que dança suave entre abóboras, horários, saladas e ensinamentos valiosos.

Almoço a vista!

Almoço a vista!

Todo o lixo seco da cozinha vai para garrafas pet que se transformam em tijolos urbanos.

Todo o lixo seco da cozinha vai para garrafas pet que se transformam em tijolos urbanos.

Queria conseguir expressar aqui a imensidão de todo esse movimento que começou há uma semana e vai durar por bons meses, mas os arrepios que me tomam de assalto ao escrever e pensar nisso tudo me travam a garganta e impedem as palavras de fluir em toda a sua intensidade. Mas preciso tentar registrar essa rotina montanha russa que se mostra uma caixa de surpresas, trocas, aprendizados, exercícios e gratidão sem fim. É tudo tão bonito que sentimos que compartilhar seria a flecha mais certeira de inspiração para todo ser que deseja um movimento rumo à realização de um sonho bom.

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Segunda etapa da fundação da casinha.

Pedra+terra+força de amô!

Pedra+terra+força de amô!

Hoje estamos com 20 voluntários que vieram de todo Brasil se dividindo entre a construção da casa, os cuidados com as criOnças e a cozinha. Uma teia de gente animada, gente de peito aberto, gente de coração bom, gente de verdades como as nossas, gente que vem ensinar pela diferença, gente que vai deixar saudade. Toda semana as turmas são trocadas, a previsão do agora (que muda todo dia!) é de receber cerca de 120 pessoas durante três meses.

Hugo tem se mostrado um mestre de obras incrível, alguém que colocou no lugar da experiência em bioconstruir o coração cheio de amor e determinação. Morro de orgulho e admiração ao sentir como ele se desafia, se propõe, mergulha por inteiro, dá o suor e o sangue pela materialização dessa casa, desse porto, desse lugar pra voltar. São manhãs e tardes de sol forte regendo braços, pernas e corações que trabalham lindamente pela casa que já existe. Sim, a partir do momento que toda essa gente chegou nosso cantinho já aconteceu, a casa é essa experiência que se manifesta no agora, estamos de corpo e alma em cada segundo desse presente.

Hugo e Nina em conversas longas sobre a casinha nova!

Hugo e Nina em conversas longas sobre a casinha nova!

Nina e Tomé estão se adaptando lindamente a toda essa mudança brusca em seus dias. A casa cheia, as energias que chegam e que vão, os espaços que se transformam, o tempo que muda. Nós, os pais, ainda estamos nos encontrando nos cuidados com eles dentro dessa bolha de mil coisas ao mesmo tempo. Buscamos observar as mudanças de comportamento, as aflições a serem amenizadas, as alegrias a serem potencializadas, as descobertas a serem estimuladas, tanta coisa. Vez ou outra rola um banho de ervas, um rezo pros anjos e arcanjos que protegem, uma macumbinha pra limpar as pequenas esponjas de energia que são os erês! Mas sentimos que estão se divertindo com tantos amigos novos, absorvendo os conhecimentos que cada um traz na mala pra compartilhar e, o mais importante, estão vivendo a diferença entre as pessoas e tendo a chance de entender na prática a lindeza que é o respeito pelo outro.

Alan, o mestre dos passarinhos, compartilhando sua sabedoria com as criOnças.

Alan, o mestre dos passarinhos, compartilhando sua sabedoria com as criOnças.

Eu ando transbordando gratidão pelos cantos e vivendo intensamente as oportunidades de me transformar que esse movimento todo tá nos proporcionando. Muitas manias, regras, cobranças, expectativas e pequeninices que moram no brejo do peito estão virando purpurina e voando com o vento. Pra variar, a natureza tem me mostrado um tanto sobre ciclos, sobre respeito, sobre confiança, sobre a combinação força+leveza. Outro dia joguei um tarô e ele me falou sobre a importância de manter a alegria infantil durante os caminhos que escolhemos percorrer. Nesse momento super favorável para enlouquecer qualquer pessoa que tenha que lidar com tanta gente, comida, imprevistos, crianças, responsabilidades, obra, material de construção, organização e mais 8327895783945 coisas, essa carta trouxe um alento importante. E nele eu e Hugo nos firmamos, na certeza de que somos a alegria desse sonho e é ela quem vai nos guiar durante todo o processo aconteça o que acontecer. E ponto!

Pra não esquecer e enlouquecer!

Pra não esquecer e enlouquecer!

Pra não esquecer de faltar leveza!

Pra lembrar que não pode faltar leveza!

E tem muito mais coisas pra falar, pra mostrar, pra viver. Aos poucos, a medida que os entendimentos forem pipocando, que as paredes forem subindo, que as pessoas forem chegando pra fazer esse agora acontecer lindamente, vamos aparecendo por aqui. Deixo esparramadas por essas palavras toda a nossa gratidão pelas pessoas que estiveram, estão e estarão conosco, nada disso seria tão bonito e intenso sem vocês pra compartilhar e multiplicar amô! A gente tá que não se aguenta de felicidade, encantados com a beleza de um movimento que se manifesta naturalmente num fluxo leve e verdadeiro. É de uma grandeza sem fim perceber que este mundo que a gente quer ver acontecer está mais perto do que pensamos!

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Marcelinho enfeitando nossas manhãs com música boa antes do trampo!

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Kéu, Camila e Tomé no preparo do suco das mangas que a natureza trouxe pra compartilhar!