A casinha do amô – O começo

Sol, terra, pedra, mãos e um tanto de peitos abertos!

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Lud, irmã/parceira de projetos, catadora oficial de mangas e guardiã de um sorriso largo incansável.

Tô aqui sentada na grama de frente para a represa abrindo esse diário de bordo que fala de uma das viagens mais lindas que nossa família já viveu até agora: estamos navegando em um barco cheio de gente e amô rumo à realização do nosso maior sonho verde, a casinha sustentável. O sol bate ainda manso na pele, é manhãzinha de vento suave e céu azul. Ouço daqui o som das pedras sendo carregadas na obra, do outro lado do lago onde mais de dez pessoas trabalham na fundação da bioconstrução. As crianças correm pela fazenda colhendo sementes para fazer colares com Kéu e Gabi, queridezas voluntárias que se revezam nos cuidados com os pequenos da comunidade para garantir um dia divertido. Daqui vejo a cozinha de casa cheia de mãos amorosas preparando o almoço delícia de quem sai da obra precisando repor a energia linda que deixou por lá. Essa máquina é coordenada por Bárbara, irmã de alma que dança suave entre abóboras, horários, saladas e ensinamentos valiosos.

Almoço a vista!

Almoço a vista!

Todo o lixo seco da cozinha vai para garrafas pet que se transformam em tijolos urbanos.

Todo o lixo seco da cozinha vai para garrafas pet que se transformam em tijolos urbanos.

Queria conseguir expressar aqui a imensidão de todo esse movimento que começou há uma semana e vai durar por bons meses, mas os arrepios que me tomam de assalto ao escrever e pensar nisso tudo me travam a garganta e impedem as palavras de fluir em toda a sua intensidade. Mas preciso tentar registrar essa rotina montanha russa que se mostra uma caixa de surpresas, trocas, aprendizados, exercícios e gratidão sem fim. É tudo tão bonito que sentimos que compartilhar seria a flecha mais certeira de inspiração para todo ser que deseja um movimento rumo à realização de um sonho bom.

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Segunda etapa da fundação da casinha.

Pedra+terra+força de amô!

Pedra+terra+força de amô!

Hoje estamos com 20 voluntários que vieram de todo Brasil se dividindo entre a construção da casa, os cuidados com as criOnças e a cozinha. Uma teia de gente animada, gente de peito aberto, gente de coração bom, gente de verdades como as nossas, gente que vem ensinar pela diferença, gente que vai deixar saudade. Toda semana as turmas são trocadas, a previsão do agora (que muda todo dia!) é de receber cerca de 120 pessoas durante três meses.

Hugo tem se mostrado um mestre de obras incrível, alguém que colocou no lugar da experiência em bioconstruir o coração cheio de amor e determinação. Morro de orgulho e admiração ao sentir como ele se desafia, se propõe, mergulha por inteiro, dá o suor e o sangue pela materialização dessa casa, desse porto, desse lugar pra voltar. São manhãs e tardes de sol forte regendo braços, pernas e corações que trabalham lindamente pela casa que já existe. Sim, a partir do momento que toda essa gente chegou nosso cantinho já aconteceu, a casa é essa experiência que se manifesta no agora, estamos de corpo e alma em cada segundo desse presente.

Hugo e Nina em conversas longas sobre a casinha nova!

Hugo e Nina em conversas longas sobre a casinha nova!

Nina e Tomé estão se adaptando lindamente a toda essa mudança brusca em seus dias. A casa cheia, as energias que chegam e que vão, os espaços que se transformam, o tempo que muda. Nós, os pais, ainda estamos nos encontrando nos cuidados com eles dentro dessa bolha de mil coisas ao mesmo tempo. Buscamos observar as mudanças de comportamento, as aflições a serem amenizadas, as alegrias a serem potencializadas, as descobertas a serem estimuladas, tanta coisa. Vez ou outra rola um banho de ervas, um rezo pros anjos e arcanjos que protegem, uma macumbinha pra limpar as pequenas esponjas de energia que são os erês! Mas sentimos que estão se divertindo com tantos amigos novos, absorvendo os conhecimentos que cada um traz na mala pra compartilhar e, o mais importante, estão vivendo a diferença entre as pessoas e tendo a chance de entender na prática a lindeza que é o respeito pelo outro.

Alan, o mestre dos passarinhos, compartilhando sua sabedoria com as criOnças.

Alan, o mestre dos passarinhos, compartilhando sua sabedoria com as criOnças.

Eu ando transbordando gratidão pelos cantos e vivendo intensamente as oportunidades de me transformar que esse movimento todo tá nos proporcionando. Muitas manias, regras, cobranças, expectativas e pequeninices que moram no brejo do peito estão virando purpurina e voando com o vento. Pra variar, a natureza tem me mostrado um tanto sobre ciclos, sobre respeito, sobre confiança, sobre a combinação força+leveza. Outro dia joguei um tarô e ele me falou sobre a importância de manter a alegria infantil durante os caminhos que escolhemos percorrer. Nesse momento super favorável para enlouquecer qualquer pessoa que tenha que lidar com tanta gente, comida, imprevistos, crianças, responsabilidades, obra, material de construção, organização e mais 8327895783945 coisas, essa carta trouxe um alento importante. E nele eu e Hugo nos firmamos, na certeza de que somos a alegria desse sonho e é ela quem vai nos guiar durante todo o processo aconteça o que acontecer. E ponto!

Pra não esquecer e enlouquecer!

Pra não esquecer e enlouquecer!

Pra não esquecer de faltar leveza!

Pra lembrar que não pode faltar leveza!

E tem muito mais coisas pra falar, pra mostrar, pra viver. Aos poucos, a medida que os entendimentos forem pipocando, que as paredes forem subindo, que as pessoas forem chegando pra fazer esse agora acontecer lindamente, vamos aparecendo por aqui. Deixo esparramadas por essas palavras toda a nossa gratidão pelas pessoas que estiveram, estão e estarão conosco, nada disso seria tão bonito e intenso sem vocês pra compartilhar e multiplicar amô! A gente tá que não se aguenta de felicidade, encantados com a beleza de um movimento que se manifesta naturalmente num fluxo leve e verdadeiro. É de uma grandeza sem fim perceber que este mundo que a gente quer ver acontecer está mais perto do que pensamos!

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Marcelinho enfeitando nossas manhãs com música boa antes do trampo!

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Kéu, Camila e Tomé no preparo do suco das mangas que a natureza trouxe pra compartilhar!

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11 pensamentos sobre “A casinha do amô – O começo

  1. Oi filha. Saudades e muita vontade de estar ai com vocês. vejo que está tudo correndo bem e nos conformes.
    estou em BH. Te ligo depois. Beijos as crianças , você e Hugo.
    Beijos Pai.

  2. Parabéns à vcs e todos nesse projeto coletivo maravilhoso e exemplar!
    Infelizmente moro em Recife e não posso estar presente, mas as vibrações chegam até aí com certeza.

    Manu, tentei uma colaboração pelo “vaquinha” com cartão de crédito, mas deu erro. Se tiver outra forma, por favor me informe pra eu poder ter um tiquinho de participação nesse lindo trabalho!
    Beijos!

    • Ei, Henrique!
      Muito grata pela sua ajuda!
      Você pode contribuir com a vaquinha depositando na minha conta pessoal também, os dados são:
      Banco Itaú
      Manuella Sales Melo Franco
      Ag. 3193
      Conta POUPANÇA: 20449-6
      CPF 044045316-05

      Muito grata pelo carinho, Henrique!
      Beijo!

  3. Manu, ainda dá tempo de me inscrever pra ajudar?
    Sabendo que vai rolar durante mais alguns meses, posso oferecer meus dotes de cozinheira, arrumadeira, costureira, artesã, brincante e tudo mais que precisar pra enlarguecer os sorrisos dessa galera. Posso me organizar pra estar ai na semana que houver menos voluntários, mas o melhor pra mim seria no final de março, inicio de abril. Entenderei se já não for necessário ou desejado e continuarei mandando boas energias a distância.
    Com carinho
    Maia

    • Ei, Alessandra!
      Sim, a nossa fundação de pedras tem um pouco de cimento. Não sei se você sabe, mas uma bioconstrução não quer dizer uma casa 100% orgânica, sem cimento ou nenhum outro químico. Infelizmente não tivemos condições de fazer a fundação que queríamos sem o mínimo de cimento que usamos, as pedras que encontramos na região não nos permitiram encaixes seguros para isso. E, ao nosso ver, isso não atrapalha em nada, a casa ainda é uma bioconstrução forte, com muito respeito a natureza e todos os outros fatores que a fazem ser sustentável. A sua casa é bioconstruída? Ela tem cimento? Conta pra gente! 🙂

      Gratidão pelo contato!

      • Infelizmente, sempre há pessoas que gostam de apontar o dedo e mostrar o que considera ‘erro’. Não liguem… Usar um pouco de cimento não desmerece o projeto de vocês. Perto do que gasta uma ‘obra normal’, é ínfimo, um mísero grão de areia na praia.

  4. Família! Que coisa mais linda o sonho de vocês. 🙂
    Começamos a ler o blog e nos parece que compartilhamos de muitos sonhos e valores.
    Estamos enviando muitas energias boas!
    Gratidão por compartilhar essa jornada tão especial!
    Beijos e abraços.

Solte o verbo!

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