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A gente escolheu viver uma vida mais simples longe do sistema, fora da caixinha, distante das grandes cidades porque, além de outras tantas razões, não queríamos mais ser condizente com certas posturas e valores vigentes nesses “lugares”. Mas essa escolha não representa uma fuga e, durante muito tempo, eu mesma acreditei que era. Sentia até um cadinho de culpa no fundo da consciência por pular fora do barco e seguir rumo a um esconderijo verde protegido das mazelas do mundo. Mas, com o tempo esse sentimento foi se diluindo, Hugo me ajudou muito a entender tudo isso de outra forma, mais leve e sensata. A gente não estava fugindo de nada, estávamos apenas indo ao encontro da nossa missão nessa Terra.

A cortina de neblina se esvaiu e conseguimos enxergar que a maneira mais bonita de querer mudar aquilo que está ruim, ao nosso ver, é pela vontade e determinação em transformar tudo, começando por nós mesmos. Nossa missão, e acreditamos que muita gente nessa vida bandida, é de se conectar com um mundo novo, enquanto o velho nos mostra que já não é mais o caminho que nos satisfaz. A gente pegou a onda da desconstrução, quebrando padrões rígidos e impostos, deixando pra trás arestas firmes, rompendo fronteiras do ego, descartando hábitos antigos que não nos cabem mais. E, junto dela, veio um mar inteiro de novas construções. Construir uma nova forma de se relacionar com a natureza/pessoas/grana, de viver o amor, de buscar soluções, de acreditar no universo, de entregar e deixar fluir, de sentir o tempo, de evoluir com nossos filhos, de aceitar e curar, de aprender todo dia com o peito escancarado, de ser e honrar a verdade de tudo que pulsa em nosso corpo/coração.

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Construir a Casinha do Amô, que antes era um sonho distante e adormecido, é a prova mais latente de que caminhos abertos existem para quem se propõe a buscar sempre o bem, o seu e o do outro. A gente recebe de volta do universo tudo aquilo que emana no peito, um caminho bonito e de duas vias, várias vias, sem fim. E por isso também, com a consciência da nossa missão na cabeça, decidimos construí-la de forma colaborativa. É como se, uma vez que você sabe a que veio, a vida fosse te dando mais e mais chances, mais e mais desafios, que te levassem sempre ao encontro da certeza de que tá tudo certo, o caminho é esse mesmo!

E nesse caminho tem muita coisa, muita gente, muita energia, muito perrengue, muita superação, muito tapa na orelha, muita risada e chororô. A beleza das coisas também mora na dificuldade, é só segurar firme nas mãos da confiança e do tempo rei que dá pra sentir ela brilhando aos olhos. Tá lindo bioconstruir esta casa seguindo colado no respeito à natureza, vendo ela crescer de forma a causar impacto zero nessa bolha verde que vivemos. Tá lindo abrir as portas da nossa vida para receber gente que nunca vimos numa trocar valiosa de experiências. Tá lindo sentir que a gente se supera a cada terremoto que rola na nossa intimidade enquanto família, que as crianças estão aprendendo e se divertindo com todo esse processo. Tá lindo perceber que este projeto não é mais nosso, ele pertence a todas as pessoas que estão fazendo ele acontecer, seja aqui subindo parede, seja doando dim dim para alimentar os voluntários, seja compartilhando uma foto nas redes sociais, seja acreditando que uma outra forma de criar é possível.

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Tudo isso é muito importante pra nossa família, porque faz a gente voltar lá no começo e sentir que nosso propósito ao pular daquele barco tá sendo atingido. A casa, a moradia vai ser nossa sim, mas todas as vivências que estão enraizadas nela durante todo o processo de construção estão sendo compartilhadas ao máximo, espalhadas por todo canto para quem quiser dali tirar o proveito que melhor lhe convier. Bioconstruir esta casa tem sido uma aventura de mil capítulos, cada um mais peculiar que o outro, com centenas de personagens e cheios de frutos lindos, esses que vão florescer em campos férteis de mudança. Ali, aqui, acolá, na cidade, no mato, dentro e fora de cada pessoa que também não se contenta com o que não se sustenta. Toda doença e toda cura está dentro da gente, pode saber.

Mês passado estive por 10 dias na “cidade grande”, tempo suficiente para perceber que na imensidão da babilônia também tem muita coisa rolando. Eu não caibo mais ali, mas honro todo mundo que tá lá na consciência, todo mundo que tá no front batalhando por mudanças dentro do caos urbano, que não se cala e questiona, que tá sendo fiel à sua missão de transformar, seja onde e como for. Ainda tem muita coisa a ser feita, inclusive dentro da gente, dentro de mim mesma. Mas tem sido massa ver e sentir o movimento, as inquietações, as expansões, os gritos, as conexões. A medida que a gente desconstrói e se movimenta, damos um passo a mais e nos afastamos do sentimento de transformação como utopia. E, assim, chegamos mais perto do que entendemos como um mundo melhor e mais pleno. Um cadinho por dia, um dia de cada vez, cada dia mais, toda vez que acreditar.

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A nossa missão (e, quem sabe, a sua também) é estar alerta, acordado, consciente, crente, vibrando em toda célula do corpo as mudanças que queremos ver/ser nessa vida larga. De dentro pra fora, do coração pro universo, da nossa verdade pra verdade do outro, o que no final das contas é tudo uma belezura só. Por nós mesmos, por você, por Tomé e Nina, os pequenos guerreiros que mudam tudo a todo minuto, com a sabedoria e a leveza que um dia ainda vamos aprender.

(As fotos desse post são pequenos registros das cinco voltas ao sol do Tomé. Uma celebração que existiu durante toda a semana anterior ao seu aniversário, com seus amigos criando os enfeites e brincadeiras da festinha. Sem super herói, reciclando o lixo, reinventando juntos a grandeza desse celebrar com muito amor!)

Se o coração tá vibrando aí pra estar junto nesse barco mas ainda não pode estar aqui conosco, corra lá na nossa vaquinha virtual e dê um moral pra alimentar a turma de voluntários que veio trocar, espalhar, reinventar, desconstruir, bioconstruir, pisar barro e subir parede com tanto amô! É só clicar aqui e encher nosso coração de gratidão 🙂 !

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7 comentários em “A Casinha do Amô – A nossa (sua) missão

  1. Manu, você disse: “Ainda tem muita coisa a ser feita, inclusive dentro da gente, dentro de mim mesma …”. Na realidade, tudo o que precisa ser feito é principalmente (e tão somente) dentro da gente. A transformação do nosso entorno só acontece, realmente, quando nós nos transformamos… A vida em família (expandida até o limite que nosso coração tem) nos propricia, no tempo divino atual, o ambiente adequado para a realização dessa transformação essencial… seja na cidade, no campo, … no lugar com que tenhamos mais afinidade. Abraço afetuoso a todos que compartilham dessa jornada!

  2. manu… “oi” daqui do interior de minas… fico feliz e ao mesmo tempo com sentimentos meio indefinidos quando leio seus textos. minha cabeça fica cheia de perguntinhas – bobas? – que queria muito fazer, mas depois elas se esvaem com o tempo… dúvidas relacionadas à convivência com seus familiares, hábitos de beleza e vaidade, e principalmente a alimentação. admiro você e tenho uma “invejinha branca” (que outro nome daria pra isso?). fico me sentindo meio mal, como se fosse ruim – não errado – manter algumas escolhas, as minhas, a cultura que me foi passada. passo a questionar meu estado constante de alegria e gratidão a Deus. muitas vezes, desejo saber mais coisas, além da subjetiva poesia dos seus relatos. mera curiosidade? acho que ela move meus questionamentos. você é linda, sua família também, suas fotos transmitem toda essa beleza, essa pureza… quem sabe um dia a gente vai passear aí? beijo grandão… do coração!

  3. Lindo demais! E inspirador demais! Essa energia boa transborda e chega até a tocar a gente do lado de cá da tela. É tão lindo ver as coisas se realizando que a gente vibra a cada post seu! Obrigada por dividir conosco, por inspirar mudanças, por nos mostrar que e possível… Que nem tudo são flores mas que o amor que sustenta faz com que a coisa flua e aconteça, porque os planos orquestrados são maiores do que os nossos!

    Beijo!

  4. Manu, tenho acompanhado seu blog desde o início e gostaria de agradecer pelo tanto que tem me inspirado. sempre admirei a autenticidade, honestidade e vida das suas palavras. E dessa vez percebi também a leveza que vc mencionou e me senti feliz por estar nesse mundo novo que estamos parindo juntos.

Solte o verbo!

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