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Tô passando uma temporada fora da minha bolha verde, esta já é a terceira vez que me arrisco a romper aquela zona de conforto silenciosa e cair no movimento frenético da cidade grande. Tem sido bem desafiador, contrariando minhas expectativas de que agora seria mais fácil do que foi ano passado. Fuéeeennnnn! Não, cada dia um tapa na orelha maior que o outro, cada dia um buraco de saudade bem grande no peito, cada dia mais a certeza de que tô peixe fora da água.

Mas, como euzinha escolhi estar aqui, vou seguindo e tentando aprender com cada tropeço, exercitando brava e suadamente o intuito de ser responsável pelas consequências das minhas escolhas. Dentre outras coisas, tem uma em especial que parece ser o aprendizado da vez nessa São Paulo imensa. No meio de tanta gente e tanta geografia, a porra da incoerência não sai do meu campo de visão e das relações que tenho vivido por aqui. Parece que a bola da vez é fazer uma imersão nesse tema, o universo deve estar tentando me mostrar onde mora isso em mim e colocando na minha reta uma fila interminável de vivências e pessoas que carregam essa bandeira, mesmo que sem saber. E, partindo da terapia jagatá do espelho que eu tanto amo, somos o outro. Portanto, lá vou eu olhando pra isso tudo e buscando seus reflexos em mim, quebrando em mil pedaços a ilusão de viver na superfície da babilônia e descansar dos mergulhos internos intensos do mato.

A coerência é uma parada delicada e, dependendo da intensidade do seu oposto, vira quase uma utopia. Me lembro de quando era adolescente e tinha uma sensação horrível que me acompanhava insistentemente, a de ser uma mentira. Dentre tantas piras que esse momento da vida traz, me lembro de sofrer um bocado com essa estranheza sobre mim mesma. Hoje vejo que era pura incoerência, pensava e acreditava em coisas que não vivia. Vivia coisas que não acreditava. Acho que pelos mesmos motivos que perpetuam a incoerência na sociedade até hoje, porque estamos o tempo nos ancorando em referências externas que nos distanciam da essência do que somos aqui dentro. Talvez isso tudo esteja relacionado à falta de coragem de assumirmos o que somos por completo. Ao medo de não sermos aceitos pelo todo quando não nos identificamos com 100% dele. À dificuldade de alinharmos em coluna reta o que somos, como manifestamos isso pela palavra e como reverberamos essa verdade em atitudes cotidianas.

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Um exercício básico da existência nessa terra, mas nem por isso comum e fácil em tempos ácidos de salve-se quem puder. Aqui, onde estou, vivo diariamente essa pira de ver a incoerência explodindo nas pessoas. Um discurso lindo que sai pela boca com uma oratória impecável. Te tira do eixo, te faz pensar, te leva pra dentro e, quando você começa a se abrir para aquilo, vem a ação/comportamento que vai no extremo oposto do que era e eu quero morreeeeeeeeer! Daí já não sei mais qual a intenção disso tudo, se a pessoa ou o movimento tem consciência desse hiato, se eu tô sendo insuportável e julgando as pessoas injustamente, se aquilo me deixa nervosa porque também o faço, se as pessoas precisam disso pra se reafirmarem em seus pertencimentos e tudo bem também. Minha cabeça roda em looping e lá vou eu buscar esses nós em mim.

É uma bela de uma canseira, deveria ser mais fácil ignorar e ligar o foda-se. Mas não dá, porque o que eu mais quero nessa vida loka é aprender a ser o mais coerente possível para que meus filhos me tenham como referência dessa conexão entre a verdade da nossa essência e a manifestação dela para o mundo. E sejam isso também, não porque eu quero ou porque tem que ser. Mas porque ter essa linha coesa desembolada dentro do peito é o mesmo que se libertar de mil coisas que não são suas e sim das projeções cruéis de quem te vê aqui fora. Ser coerente é um desafio ferrenho, tô me ligando, mas também uma vassoura mágica que sai varrendo pela frente tudo que não se sustenta entre dois pólos extremos. Quebrar essa ponte entre duas distâncias é escolher um lado só, aquele no qual só cabe uma verdade e a manifestação pura e cristalina dela para  você mesmo e para o outro. Quase uma atitude de autorresponsabilidade, respeito e honra, saca?

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Nada desse devaneio presente me leva pra certeza de que sou coerente como gostaria e ainda posso ser. Ainda falta um bocado bom de montanhas pra subir. Aliás, se já fosse a rainha da coerência, o universo não estaria jogando na minha cara, todo santo dia, esse descompasso doido de coisas que são e não são pra encarar de frente. Talvez essa seja a aula da vez, sentar nas mil cadeiras de uma cidade imensa, assistir os mil movimentos que nela acontecem, compartilhar com mil pessoas diferentes, ouvir os mil discursos que ela grita, aprender sobre as mil possibilidades que ela apresenta e me conectar com uma só voz mestra: a minha. Pra que essa seja a guia mais forte nesse desafio de conectar linearmente tudo isso que se apresenta em minha frente com aquilo que sou, acredito e manifesto. Que as deusas estejam comigo nesse mais um mês e meio que ainda me falta nessa babilônia em chamas, socorra!

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4 comentários em “A (in) coerência

  1. Viu,,,,benvinda ao mundo irreal!!!!kkkkk, esse é o começo, que bom que está despertando, mas a boa notícia é que tem muita gente despertando junto!!!!! bjim doce

  2. Entendi tudo tudo… e embora eu sinta que estás anos luz de mim, vou compartilhar minha humilde e jamais definitiva conclusão: esse penhasco do qual eu caio quando vivencio observando esse desalinhamento de discurso x atitude, trago pra mim. Penso que a responsabilidade é minha quando alimento a expectativa a partir da teoria e que o outro não tem nenhuma obrigação de atender dentro de sua própria evolução repleta de erros e acertos. Assim, sigo mais tranquila sabendo que seus tropeços tbm poderiam ser os meus. Será que fez sentido? Um abraço muito forte! lhe admiro!

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