A horta

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Ainda não choveu por aqui, apenas poucos dias de um chuvisquinho malandro que vem pra não deixar a gente perder as esperanças de uma boa tempestade. Seguimos grudados na previsão do tempo, acreditando que São Pedro não nos esqueceu e guardando nossa plantação para mais tarde. Enquanto isso, estamos trabalhando na horta da casa e colocando em prática alguns conceitos da permacultura que estudamos antes mesmo de vir pra cá.

A ideia principal é produzir nela o nosso consumo e cortar mais algumas itens da lista de compra, além da delicia de comer o que foi produzido por nós mesmos com tanto amor e dedicação. O excedente, caso haja, vira moeda de troca com outros produtores locais ou é vendido na feira de agricultores da cidade. Optamos, desde o começo, pelo plantio orgânico, mesmo sendo ele um pouco mais “trabalhoso” que o normal. Nada de agrotóxicos, nada de fertilizantes, muito preparo e cuidado com a terra para que ela cuide bem do que for plantado ali.

Hugo (meu marido ninja!), pegou pesado na enxada e capinou toda a área que escolhemos para a horta. Até esta escolha demanda uma certa atenção, temos que pensar na direção do vento, na quantidade de sombras nos canteiros, na proximidade com a casa, no escoamento de água, na inclinação do terreno. Um bocado de detalhes que, junto a outros fatores, ajudam a garantir um trabalho bem feito. Eu, que só plantei na vida feijãozinho com algodão no copo de Danoninho, vou aprendendo com Hugo (que também nunca fez isso mas mete a bunda onde o coração está!) o quão interessante, bonitas e simples são as coisas da terra.

Então fizemos quatro canteiros maiores, um pequeno para as mudas de tomate que ganhamos do vizinho e outros menores para flores que ajudam a espantar insetos e praguinhas que temem seus cheiros e cores vibrantes. Em uma das laterais replantamos algumas mudas de abacaxi que estavam em outra parte mais longe do terreno e por isso sem cuidado e alguns girassóis. Depois de prontos as “camas” das sementes e mudas, é hora de cuidar dos canteiros para recebê-las. Aqui tudo tem que ter calcário, o PH da terra é muito ácido e jogamos esse pó de pedra para amenizar. Estamos agora esperando alguns dias para poder misturar o adubo e cobrir tudo com papelão e palha de capim. Segundo a permacultura, a terra nunca deve ficar descoberta, assim ela se mantém mais úmida e a gente economiza até 50% de água para irrigá-la. Tão lógico, tão simples e tão pouco usado pela agricultura convencional.

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Equanto isso, começamos o nosso mudário, a parte mais legal onde toda a família trabalha junta. Tem sido uma delicia sentar ao pé da mangueira, encher saquinhos de terra, colocar com todo cuidado as pequenas sementes, aguar e correr pra vê-las brotando todo dia pela manhã. Nessas tardes, Tomé nos acompanha bagunçando os pacotes de semente, perguntando sobre tudo, correndo atrás da cachorra Pipoca. Nina colabora dormindo em seu cantinho e me deixa de braços livres para trabalhar. Eu queria um dia poder traduzir tudo o que sinto quando vejo a gente ali, juntinhos, de frente pras montanhas da Chapada, com solzinho bom batendo no rosto, semeando nosso alimento e construindo a vida que escolhemos viver. E tudo tão bonito, tão bom de sentir, tão certo de que era pra ser assim, tão feliz e pleno.

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Também aproveitamos essa espera do calcário na terra para fazer o composto orgânico, um fertilizante natural que a permacultura nos ensinou para dar um “up” nas mudinhas. Hugo estudou, leu, viu vídeos e botou a mão na massa. Com zero dinheiro e muita vontade, juntou adubo seco, cocô de vaca fresco, capim seco, capim fresco, palha de café, urina e pedaços de carne velhos. Cada item desses tem sua função dentro do processo, se quiser entender mais sobre o assunto, aqui tem um vídeo bem massa que explica direitinho tudo (só tem em inglês, óquei?). Depois cobriu com lona e ali fica por 18 dias até se decompor e virar um adubo riquíssimo para o solo. Uma das coisas mais fodas da permacultura, pra mim, é esse lance de aproveitar toda e qualquer coisa que se tem por perto para fazer algo rico e de grande utilidade no seu plantio. Bingo!

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Agora estamos esperando o tempo de transplante das mudas para os canteiros, cada uma tem sua hora e vamos vigiando ansiosos por vê-las fortes. Cada brotinho novo que aponta é motivo de festa na casa. Tomé vai aprendendo junto com a gente e ficamos imensamente felizes em vê-lo crescendo cercado pelas mágicas da natureza, com todo amor e respeito que ela merece! Minha gratidão sem tamanho ao pai dele, meu amor, cúmplice e companheiro, por nos guiar com tanto carinho por essa viagem linda que é o cuidado com a terra, a permacultura. Ainda temos um bocado de estrada pela frente, aí vamos nós, juntinhos!

Ah! E se a permacultura te interessar, aqui tem um monte de coisas legais pra aprender um cadinho sobre o assunto, a gente recomenda! E, se alguém também tiver dicas, livros, links legais para compartilhar, iremos adorar, nunca fizemos nada disso e toda troca é mais que bem vinda.

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A fotografia

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Algumas pessoas têm me dito que começaram a nos seguir no Instagram, onde eu postava, praticamente, fotos da rotina do Tomé. Acontece que não estamos mais usando essa “gavetinha” moderna de arquivar lembranças, aqui na roça o “uairelés” não funciona.

Mas, como a fotografia é um braço da nossa memória e não vivemos sem ela, não paramos de registrar o crescimento do pequeno. Há algum tempo atrás pensamos numa forma de guardar cada cantinho da infância dele sem nos prendermos à validade do papel fotográfico e mídias digitais ou ao humor do nosso HD. Então decidimos fazer um álbum virtual com as fotografias que tiramos dele com nosso celular. Nada preocupado com técnica e tudo registrado com olhos cheios de amor. Um grande arquivo de imagens na internet, num “lugar” seguro e de fácil acesso também aos familiares que estavam longe.

Então fica aqui o endereço da caixa de sapato moderninha do Tomé (e a da Nina não demora!), onde guardamos para ele as memórias de sua própria infância. Com todo o respeito ao tempo rei, sabemos que ele um dia nos roubará algumas lembranças. Mas temos tantas e tão lindas que, a cada foto tirada, acreditamos estar dando uma rasteira nele e guardando para sempre um momento inesquecível da nossa família!

O parto

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Quando nos mudamos para cá Nina tinha sete meses de vida na minha barriga. Pensamos muito em como seria esse parto, mas nunca cogitamos a possibilidade de ela não nascer aqui. Em momento algum sentimos que precisaríamos de alguma estrutura que a cidade não poderia nos proporcionar, como um bom obstetra ou um hospital “seguro”, por exemplo.

Durante esses nove meses de gestação, esse bebê plantou em mim uma certeza gigante de que estávamos muito bem e que sua chegada seria linda, onde e como fosse. E eu me agarrei à ela até o último minuto de barriguda, a bichinha era um girininho dentro de mim e já se manifestava com tanta força. Fiz algumas visitas ao posto de saúde da cidade e levei alguns exames pedidos pelo médico (um jovem recém-formado em clínica geral) para ter certeza de que estávamos em perfeitas condições de ter um parto normal, assim como foi o de Tomé, sem intervenção alguma e com todo respeito a nós e ao nosso momento.

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Na tarde do dia 02 de outubro Nina começou a dar sinais de sua chegada. Nossa malinha com roupas já estava pronta, Tomé iria ficar na casa da vizinha, as pequenas contrações me surpreendiam de quando em quando. Passei o dia fazendo tudo como se fosse um outro qualquer, tirando o fato de minha cabeça não parar de pensar nela e meu coração sentir a bichinha cada vez mais próxima. Comemos, tomamos banho, assistimos filme e dormimos. Lá pelas onze da noite as contrações me acordaram como despertador que avisa “é hora do trabalho, simbora”! E na compania delas eu fiquei até as 2h50, andando pelo quarto, me alongando, cronometrando contrações, conversando com minha filha, nos preparando para sua chegada. Acordei Hugo e disse que era hora de irmos para o hospital. Não fosse o fato de não termos uma parteira por aqui, não teria saído de casa para receber esse bebê, seria um belo de um parto domiciliar (como acredito ser o próximo! Tô animada!).

Cheguei, fiz ficha de entrada, parei pra esperar a contração passar, troquei de roupa, Hugo não podia me acompanhar e voltou pra ficar com Tomé (regra sem graça do hospital), me instalei num quarto com outras duas recém-paridas, contração, contração, contração, contração. Em momento algum me senti sozinha, tive medo, sofri. Eu queria Nina no meu colo e estava muito perto disso, me sentia  como uma leoa forte e confiava no meu corpo como nunca antes, eu poderia parir sozinha aquela criança! E foi mais ou menos isso que aconteceu mesmo. Depois de uma hora da minha chegada, entrei na onda contração/força/contração/força e, quando senti que ela estava quase saindo, gritei pela enfermeira que me levou para outra sala onde estava o médico. Este, de cabelo em pé e cara de sono, só fez olhar pra minhas pernas abertas e dizer: “menina, espere um pouco e segure esse bebê aí, ainda não coloquei as luvas”! Hein? Eu, no meu último impulso de força, respondi: “eu não, segure você minha filha porque ela vai nascer agoooora!”. E foi!

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As quatro da manhã minha pequena estava nos meus braços e eu, naquela mistura doida de alegria, choro, alívio, amor e mais amor, senti a gratidão desse momento vibrando em mim como a dormência que tomava meu corpo pela força que acabara de fazer. Acho que toda vez que contar sobre esse momento vou sentir este nó na garganta que tô sentindo agora.

E voltamos para nosso quartinho de hospital, nós duas, ansiosas pela visita do papai e Tomé.  Achei que dali pra frente tudo caminharia “normalmente” até o momento da alta e da volta pra casa, o que eu mais queria. Mal sabia eu que ainda tinha muito o que fazer por ali e que Nina, minha desde pequena guerreira, me ajudaria a ajudar outras pessoas. No nosso quarto conheci Cidinéia e Poliane, a primeira mãe de uma gravidez de risco e de um bebê que nasceu praticamente morto. A segunda com 20 anos, terceiro filho e mãe solteira. A primeira beirando a uma depressão sem fim e sustentando um sangramento de 30 dias. A segunda chorando de dor e parindo coágulos de sangue filhos de uma hemorragia perigosa.

Meu corpo, danado que é, deu jeito de me colocar em pé rapidinho e me dar uma baita força vinda nem sei de onde.  Me sentia pronta para dar a luz a outra criança antes de mesmo de 24 horas do meu parto. E foi nessa força que me apoiei para conversar muito com Cidinéia, ouvi-la, deixá-la chorar essa perda, levá-la ao banheiro, buscar seus remédios, pegar sua água, dar um abraço apertado. Nina dormia um sono tão profundo que me permitiu emprestar os braços livres para o bebê de Poliane, que acabou transferida para outra cidade em busca de melhoras. A pequena não pôde ir junto e fiquei com ela, ninando e conversando, até uma tia chegar, junto com o nascer do sol. Foi lindo poder ajudar as pessoas num momento tão especial, o universo sabe mesmo onde nos colocar para nos dar a chance de sermos melhores.

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Na volta pra casa, olhando as montanhas da Chapada pela janela, ouvindo uma música boa e olhando para nós 4 ali apertadinhos na cabine da caminhonete, meu coração besta se encheu de alegria e plenitude. Estávamos maiores, mais fortes, mais completos, mais felizes. Nina chegou para ser mais uma brotinho do nosso jardim, chegou reafirmando nosso amor, carinhosamente nos dizendo que somos todos um só. Estamos muito felizes, cada dia mais, e assim será!

Gratidão enorme a todo mundo que nos mandou mensagens de boas vindas, de felicidades e vibrações positivas pela chegada da filhota. A bichinha, Tomé, Hugo e eu retribuímos com muitos “xêros” nessa gente linda!

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A chuva

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Chover sempre foi, pra mim e para minha vida agitada na cidade, um verbo carregado de transtornos. Sinônimo de trânsito intenso, frio, sapato molhado, guerra de sombrinhas na rua, dificuldade para sair de casa e por aí vai… Quase nunca me permiti olhar pra ela como algo realmente bom, quase sempre me faltou sensibilidade para entender a grandeza de seus benefícios para o todo, não só para o meu dia egoísta.

Pois bem, aqui estamos nós esperando pela chuva como criança que espera papai noel na noite feliz, que ironia! Para começar nossa plantação e nossa agrofloresta, precisamos de um bocado de água do céu para cuidar da terra seca e judiada pelo astro rei. Nossa horta, nosso herbário, nossas mudas de maçã, nosso mudário de café, tudinho precisa de água para acontecer.

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O povo da região tem um amor incondicional pela chuva, fala e reza pela sua chegada quase todo dia. Claro! Todo mundo vive da terra e a terra não vive sem água. O consumo aqui é bem consciente, a água da nascente é pura, cristalina e dividia entre casas e roças vizinhas. Não falta nada pra ninguém e todo mundo sabe cuidar do seu pra não faltar pro outro, uma “regra” local que poderia salvar mundos e fundos se fosse aplicada pra geral.

A época da chuva começa, teoricamente, agora em outubro. Mas tá quente até, venta forte do sul e do norte, nuvem vai, nuvem vem e nem sinal da danada. Estes dias me peguei pensando nessa relação com a natureza e no respeito que estamos aprendendo  a ter por ela. A nossa dependência da chuva para trabalhar e ver nossos frutos crescendo é algo que me fez repensar um bocado de coisas, desde o consumo da casa até nossa pequeninice diante dos fenômenos naturais “banais”, como a própria chuva. Nada, nadica é sem razão ou sem importância. Parece que a natureza foi desenhada de forma tão simples e, ao mesmo tempo tão perfeita, que me assusta demorarmos tanto para entender isso. Sim, foi preciso eu precisar enlouquecidamente da chuva para sacar que ela é mais do que uma água que cai do céu e atrapalha o trânsito.

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Então seguimos abrindo nossas janelas pela manhã e reparando o sentido do vento, a quantidade de nuvens, o calor do ar,  as andorinhas ao redor. Amanhecemos e passamos o dia sentindo a natureza e seus sinais, vigiando suas mudanças mais singelas, vibrando pela água que vai trazer fertilidade pra nossa terra. É uma experiência linda, é uma espera calma e serena, principalmente porque aqui aprende-se a confiar na terra.  A chuva tá demorando, talvez porque o homem tenha mudado tanto as coisas que ela agora mudou os ponteiros do seu relógio. Mas ela chega, uma hora chega e vai varrer essa roça com água e muito verde. Enquanto isso a gente fica aqui, cuidando de cada folhinha pequena que brota, comemorando cada pêssego novo no pé, cada florzinha que insiste e resiste bravamente como guerreira que é.

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Ah! Peço desculpas pela demora em responder as mensagens e comentários lindos que temos recebido. É que nossa pequenina chegou esses dias e estamos lambendo a cria a maior parte do tempo. Depois eu conto tudinho como foi!

Criar X comprar

Galho de goiabeira achado no mato+pedaço de tecido = suporte para toalhas de rosto e toucas nos banheiros.

Galho de goiabeira achado no mato+pedaço de tecido = suporte para toalhas de rosto e toucas nos banheiros.

Nossa vida por aqui traz exercícios diários de adaptação e, confesso orgulhosa, estamos nos saindo muito bem na maioria deles. Coisas simples como separar e reaproveitar o lixo, trocar detergente por sabão de côco, temperar a comida apenas com o gersal que produzimos, fazer nosso próprio pão e comprar só mesmo o essencial, tem sido uma delícia e uma pergunta: porque não fazíamos isso antes?

Nesse processo de reforma da casa (ainda não 100% pronta, mas já nos abriga) vivemos muito a coisa do criar ao invés de comprar. Viemos para cá com uma merrequinha de grana do nosso carro que vendemos em Minas. É engraçado, mas até para viver sem depender do dinheiro você precisa de dinheiro. Pensamos muitas vezes e ouvimos muito “não é melhor juntar uma grana para depois poder começar essa nova vida com mais segurança?” Sim, seria lindo, mas não estávamos afim de passar mais um ou dois anos correndo atrás de juntar um tutu que, no final das contas, nunca seria suficiente para garantir tal “segurança”. E, me desculpe a boca suja, mas que porra de segurança é essa que a gente tanto quer e acha que precisa? Quando penso nisso, sempre me vem à cabeça um cachorro correndo atrás do rabo, cômico se não fosse tão triste. É a mesma coisa com filhos, as pessoas esperam ficar legal de grana pra poder ter uma criança e se esquecem de tantas outras “condições” tão mais importantes. Mermão, filho dá trabalho e gasta dinheiro sim, mas o que vai fazê-lo feliz não é o que você vai comprar pra ele, amor e carinho tem de graça no coração da gente.

Enfim, nesse processo todo de desapegar um pouco do consumo entramos numa onda de fazer nossas próprias coisinhas, começando por alguns detalhes da casa. Claro que muita coisa teve que ser comprada sim, ainda não aprendi a fazer uma cama, por exemplo, mas um dia eu chego lá. Mas começamos, de forma muito natural, a virar nossos olhos para a matéria prima local e dar mais asinhas à nossa imaginação. Então fomos inventando um troço aqui e outro ali para poder enfeitar tudo com nossa cara, aos poucos e com bem pouco. Um metro de tecido, por exemplo, custou R$13,00 e rendeu capas para latinhas, forro para suporte de canecas, cobriu um pedaço de madeira que virou chaveiro, bolsa de livros no quarto do Tomé, alcinha para suporte de toalha de rosto para os dois banheiros e mais um bocado de coisas. A ideia é bem essa, sabe? Gastar pouco ou nada, invetar moda e ficar com essa sensação gostosa de que aquilo foi feito por você e tem toda a sua energia ali.

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Garrafa pet+fita adesiva colorida = porta lápis pra mesinha de artes do Tomé.

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Pedaço de tecido+prego = bolsas de livros para mini-biblioteca do nosso tico-tico.

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Caixote de madeira achado na feira da cidade = prateleira para brinquedinhos do pequeno.

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Cabo de vassoura velha+pedaço de corda = arara de roupas (nós de-tes-ta-mos armários e fizemos isso em todos os quartos!)

 

Como dizia minha boa e velha avó, não precisa ter talento, basta ser esforçado. Aqui eu acho que é bem isso, não é uma questão de saber ou não costurar, ter o não ideias legais, conseguir ou não um caixote de madeira na feira. O lance é que nos acostumamos tanto com o comprar pronto, que qualquer coisa é desculpa para não criar ou, ao menos, nos permitir tentar. Mas eu te digo, de cadeira, que vale a pena demais. Vale pela diversão de fazer algo novo, vale pela sensação gostosa de se permitir o desafio da criação, vale o sentimento nobre de estar suprindo suas próprias necessidades sem gastar para que outro alguém ou alguma coisa o faça.

É claro que tudo isso tem a ver com um fator muito importante, o tempo. Sim, precisa-se de tempo para fazer com calma e amor, a criatividade da gente é inimiga da pressa. Mas, depois que se toma gosto pela coisa, fica difícil pensar de outra forma. Hoje, aqui em casa, pensa-se duas vezes antes de comprar alguma coisa. Dá pra fazer? Não sei, nunca fiz, vamos tentar? Assim tem sido também com a alimentação, assim tem sido nossa rotina de recriar a relação com grana.

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Pedaço de madeira encontrado nos arredores da casa+uma mãozinha de verniz+ ganchinhos = cabideiro para toalhas e roupas dos banheiros.

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Espelhinhos da venda por R$3,00+bottons antigos = espelho engraçadinho para banheiros.

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Obra linda do marido lindo! Galho de goiabeira+uma mãozinha de verniz = porta retrato de mesa.

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Capa de CD velho+retalho de tecido+fitinha de veludo = porta retrato de parede.

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Cantinho com porta retratos feitos com molduras alternativas e a custo quase zero.

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Molduras de madeira R$1,00 cada+mão de tinta colorida = joguinho de retratos na parede de adobe.

Ainda temos muito o que melhorar nesse “quesito” também, mas começamos a sentir, nessa brincadeira de decorar a casa, que podemos (re) aproveitar mais as coisas, olhar com mais cuidado para nosso entorno, repensar a função e utilidade de tudo. Assim, aos poucos, podemos consumir menos marcas e lojas, depender menos do sistema, precisar menos de futilidades. Tem sido interessante essa nossa descoberta, sabe?  Por mais familiar que sempre tenha sido o “menos é mais”, talvez nunca tenhamos experimentado sua verdade. Agora sim, aqui nesse meio do mato, longe de tudo, estamos mais perto que nunca dessa essência. Saravá!

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Caixotes de feira R$18,00 cada+mão francesa = armário de cozinha diferente

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Pedaço de madeira achado nos arredores da casa+retalho de tecido+prego = porta canecas e xícaras de café.

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Pedaço de madeira encontrado nos arredores da casa+mão de verniz+prego = porta penelas/colheres/coadores…

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Latinhas de leite em pó+retalho de tecido = potes para armazenar grãos, café, frutas secas…

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Caixote de madeira achado na feira da cidade+mão de verniz = porta tempeiros na cozinha.

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Vidros de azeitona reaproveitados da lanchonete da cidade+retalho de pano = suporte para talheres.

A gravidez

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Toda gestação é uma montanha russa, aos menos as minhas sempre são. E, como se não bastasse a inconstância desses nove meses e os 1920471840 hormônios gritando dentro da gente, eu ainda invento de me mudar toda vez que engravido.  Aos quatro meses de Tomé dentro de mim nos mudamos de São Paulo para Lagoa Santa. Agora, um pouco mais atrevida, venho com Nina, aos sete meses, para a Chapada Diamantina.

Gestar uma criança é para mim tão mágico que vale todo e qualquer sacrifício, vale cada mudança no corpo, cada enjôo e azia, cada minuto da barriga mexendo. E isso é só o começo, o que vem depois do nascimento é algo que a gente nunca vai ter ideia da grandeza que é. Eu amo a maternidade como se tivesse nascido pra ter 12 filhos, é como se tivesse a chance de reaprender a minha vida toda vez que uma outra pulsa no meu ventre.

Nina tem se mostrado uma bela de uma guerreira antes mesmo de nascer. Não tem sido fácil suportar a inquietude da mãe que ela escolheu pra si. Aqui acordamos bem cedo, sempre de acordo com o relógio do Tomé, que nunca passa das 07h. Tomamos juntos, assim como fazemos todas as refeições, nosso café da manhã cheio de coisinhas simples, naturais e saudáveis. Depois disso o dia começa e a bichinha participa de tudo sem me roubar o ânimo.  Lixamos madeira para fazer nossas prateleiras, regamos as plantas, brincamos na areia com Tomé, fazemos almoço, lavamos vasilha, varremos a casa, lavamos roupa, fazemos bolo de banana, ajudamos o papai a limpar o pomar, vamos a cidade com o irmão pulando em cima da barriga (nosso carro é uma saveiro e são 13 km de buraco até lá!) colhemos mexerica, sentamos um pouco, damos banho no Tomé, tomamos o nosso, jantamos e deitamos. Ufa! Os dias são longos, assim como nossas conversas quando estamos sozinhas, assim como os carinhos que papai nos faz quando deitamos e descansamos do dia agitado e produtivo.

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Agora, aos oito meses e já sentindo pequenas contrações que avisam a sua chegada, ainda nos sentimos bem dispostas e não paramos. Alguns desconfortos vão chegando e caracterizando esse típico e difícil final de gestação. Mas seguimos em ritmo acelerado e ouvindo as broncas do pai que, se pudesse, nos amarraria ao pé da cama para nos ver quietas por um tempo.

Nina é minha companheira, nessa confusão toda da mudança é um norte pra gente em várias coisas. Quase tudo, desde como gastar o pouco dinheiro que trouxemos para começar essa nova vida até a ordem dos móveis na casa é ditado por ela e seu irmão mais velho. Nina é minha certeza de que a família tá dando certo, um segundo filho programado e com tanto amor é repetir e multiplicar a alegria do primeiro. Nina é, acima de tudo, meu segundo coração batendo fora do peito.

À você, nossa pequena guerreira, toda gratidão por dividir com tanta força esse momento importante das nossas vidas. Por fazê-lo ainda mais especial, por nos escolher como pais e amigos, por nos dar a chance de uma família mais completa e feliz, por nos proporcionar a alegria de poder reaprender tudo outra vez, agora com você nos ensinando.

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A casa

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A vida por aqui anda empoeirada de reforma, literalmente. Nossa casa está sendo finalizada e ainda não podemos nos instalar nela, o que nos causa uma ansiedade sem fim. Então dormimos na casa de uma amiga que mora em SP e passamos o dia ajeitando as coisas por lá. O tempo já começa a nos desafiar e nos jogar na cara que quem manda aqui é ele, só nos resta entender e aprender essa outra forma de sentí-lo: a casa pronta, o trabalho, o plantio, o retorno da terra, nada acontece do dia para noite, tudo tem seu próprio ponteiro. E você (nós!), que veio da cidade e acostumado com tudo pronto, abaixe sua bola e respeite o relógio da nova vida.

Entendido o recado, vamos nos dividindo pela casa e descobrindo os quatro hectares de terra que são nosso sustento. Enquanto Tomé brinca no monte de areia, eu procuro madeira para fazer os cabideiros da casa e Hugo desenha o sistema de irrigação das terras. Eu colho frutas para fazer suco no almoço, Hugo pega na enxada e Tomé segue toda e qualquer trilha que encontra mato afora. Hugo lida com os pedreiros, eu tomo café quentinho na casa de Dona Zi e Tomé rega as mudas que plantou no jardim com o pai. E assim a gente vai se encontrando nessa casa, fazendo planos pra terra, “assuntando” a vida com os mais velhos, nos acostumando à nova rotina, que de rotina nada tem.

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Ainda tudo no começo, ainda tudo girino. Ainda tudo novidade, mas sempre carregado de certeza da nossa escolha, parece que sempre pertencemos a essa vida. As mudanças vêm vindo com calma e respeitando nosso tempo de adaptação, esse processo tem sido uma delícia para nós quatro. Por falar nisso, muita gente tem me feito perguntas práticas sobre algumas coisinhas dessa mudança, respondo algumas delas aqui e agradeço um monte pelas mensagens lindas que temos recebido!

–       Aí tem internet? Sim, o Pedro, moço dos Correios, veio aqui, subiu nas montanhas do nosso terreno, fez uma gambiarra de primeira e instalou uma internet bem boazinha pra gente. Mas não pega telefone celular e um número fixo custa uma antena de 600 “realidades” (o que não teremos, por enquanto, e não sentimos falta alguma);

–       Vocês continuam comprando coisas no supermercado? Sim, ainda não atingimos nossa meta de auto-suficiência, mesmo porque não tivemos tempo suficiente para colher o que plantamos. Mas, mesmo assim, é só o básico (produtos de limpeza, higiene, etc). Temos quase 15 tipos de fruta no nosso quintal, as verduras e legumes vêm da horta da Dona Zi, arroz, feijão, mel, leite e outras coisinhas vêm da feirinha de produtores locais. As coisas aqui tem gosto de verdade, comer voltou a ser um prazer e não só uma refeição. Isso também quer dizer que produzimos um lixo quase 70% orgânico, o que já é um afago na nossa relação com a natureza;

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–       Tem médico? Sim, tem o SUS e uns três clínicos gerais que cuidam de todo mundo. Trocamos nossa cara (e problemática) Unimed pelo cartão da família que Maridalton veio aqui em casa pessoalmente fazer. Ele, agente de saúde da cidade, ficou sabendo que uma grávida havia chegado na sua área de atuação e fez questão de vir me explicar tudinho sobre o pré-natal feito pela enfermeira Aline no posto. Não somos mais um número de carteirinha, aqui cada pessoa é realmente uma pessoa;

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–       Tomé vai pra escola? Não, decidimos não voltar com ele para escola agora. Acreditamos que temos tempo e amor suficiente para mantê-lo conosco o dia todo, aprendendo e participando de tudo o que estamos construindo. O convívio social é feito com outras crianças do povoado, todo mundo das fazendas de café tem família grande e a criançada corre solta pela região. Ele, que não é bobo, já deu jeito de se enturmar;

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–       E o dinheiro vai vir como? A relação com grana mudou, precisamos de muito menos para viver, mas ainda não conseguimos ficar 100% livres dele, claro. A terra vai ser nossa maior fonte de renda, assim como para todo mundo por aqui. Estamos cuidando dela e prestes a entrar de cabeça na permacultura, plantando o que consumimos e fazendo um tutu com o excedente. Aqui tudo o que planta dá e, com muito trabalho, não há de faltar nada pra gente;

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–       Você não acha que ta fazendo uma loucura? Sinceramente, isso nunca me passou pela cabeça.  Loucura mesmo seria manter nossa família refém de uma vida que não era nossa. Seria negar nosso desejo de viver melhor, seria continuar acreditando num falso círculo de conforto. Loucura mesmo é deixar o medo calar seu coração e fechar seus ouvidos para aquilo que grita no peito, sabe? A gente tá feliz sim, estamos entendendo um monte de coisas/pessoas/valores/relações que ainda não faziam sentido na cidade. Estamos aprendendo como nunca, toda hora, sem parar, com erros e acertos, rindo e chorando. Estamos nos desafiando, estamos nos aventurando. Estamos tudo e qualquer coisa, menos cometendo uma loucura!

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A chegada

Chegamos, estamos em casa.

Com três malas de 23kg cada, saímos de Lagoa Santa e seguimos rumo à Salvador. O resto ficou pra trás, foi vendido, doado, poucos livros guardados, exercício ímpar de desapego e do qual eu acreditei nunca poder ser capaz! As despedidas foram doídas, algumas adiadas, outras mais fáceis do que imaginávamos. Deixar uma cidade e suas relações é também repensar o lugar das pessoas na vida da gente.

Tomé sempre no foco das atenções, agitado e “esponjinha” de toda nossa ansiedade. As crianças sentem e manifestam tudo, sempre, independente da idade e capacidade de compreensão exata dos acontecimentos. Poucos minutos de observação poderiam denunciar seus movimentos agitados, seu choro por nada, sua desobediência exagerada e agressividade. Ele sente e coloca pra fora, mais esperto que os próprios pais, que tentam esconder as coisas de si mesmos. Com muita paciência, conversa e amor, respeitamos esse momento dele, no fundo éramos um o reflexo das emoções do outro.

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A aventura de andar de avião distraiu e ajudou muito. Dormia e acordava falando “papai, mamãe, nina: eu tá voando”! Este primeiro dia em Salvador nos proporcionou uma das experiências mais lindas ao lado do Tomé, descobrir o mar. Com toda força das ondas e bênçãos de Yemanjá, chorei (sim, chorei!) de emoção ao ver ele se jogando na areia, caindo na água fria, sentindo o vento bagunçar os cabelos, o sal grudando no corpo, a liberdade destemida. Nosso filho é bicho solto, esse é um dos recados que ele me dá diariamente.

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Depois de alguns dias de muita praia e axé, nove horas de viagem dentro de um ônibus e a chegada na Chapada Diamantina. Mais um lugar novo, mais uma mudança de cenário, mais um perda de referências, mais longe do restante da família e amigos, Tomé pede socorro outra vez. E, neste dia, nós nos apoiamos uns nos outros para suportar a avalanche de sentimentos que essa escolha nos causou.

Parece que chegar aqui foi um soco no nosso estômago, quando a gente deseja muito alguma coisa o universo conspira e ela acontece. Estamos aqui. E agora, José? E esse mesmo soco que dói e amedronta traz em si uma das coisas mais bonitas que meu coração besta já sentiu: a força da união em nosso núcleo familiar, a capacidade de nos protegermos, de nos apoiarmos, de nos acalmarmos, de nos abraçarmos com tanto carinho. Nós quatro somos como notas de uma musica só e precisamos zelar pela harmonia final.

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Passado o susto da chegada e da concretização dessa nossa escolha, vamos ao trabalho que nos espera na reforma da casa e no começo do trabalho com a terra. Nos inspiramos em Tomé e seguimos desbravando sem medo, pegamos carona com ele e vamos aprendendo tudo de peito aberto. Na verdade, a vida nova é que chegou, não fomos nós que chegamos.

Manu, Hugo, Tomé e Nina.

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Toda escolha é uma despedida

Sim, estamos indo embora daqui.

Algumas mudanças não são apenas geográficas, elas pesam mais que a distância, carregam na mala o desejo latente de arriscar. Nós decidimos mudar tudo, começar do zero, limpar os espaços poluídos do peito, desapegar das tralhas materiais, respirar mais leve o cheiro de uma mudança pra lá de desejada e necessária.

E não é novidade pra ninguém que toda escolha é, de alguma maneira, uma troca. É preciso sempre deixar alguma coisa para poder conquistar outra. Não vai ser fácil e ninguém tentou nos provar o contrário, nem a nossa vontade de que isso fosse uma verdade. Mas vai ser nosso, já é nosso caminho e nos sentimos muito honrados pela decisão de respeitar o que pula dentro do coração.

Estamos deixando Lagoa Santa/MG para morar na Chapada Diamantina/BA. Dentro dessa frase cabe tanto que não sabemos pensar sem sentir um turbilhão de coisas ao mesmo tempo. Dentro dessa escolha cabe o entendimento de relações que nossa alma vem nos cobrando há tempos:

– queremos que nossos filhos (tomé, com dois anos,  e nina, sementinha de 07 meses) tenham a oportunidade de crescer respeitando a natureza (dos bichos, plantas e , sobretudo, dos homens) e com valores enraizados na simplicidade, verdade, honestidade e amor, muito amor. Sentimos que eles (e todos os outros que virão vida afora!) são crianças de espírito livre, cheios de luz e consciência. Obrigá-los a crescer na cidade, enjaulados em apartamentos, moldados pelo consumismo social e submetidos à uma educação tradicional nada inteligente seria, de alguma forma, negar toda a essência desses dois serzinhos. E isso seria, para o tipo de família que nos propusemos a ser,  o maior de todos os crimes inafiançáveis!

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– estamos deixando a cidade e todo o seu “conforto” para descobrirmos quais são as nossas verdadeiras necessidades enquanto cidadãos conscientes nesse mundo de meu Deus. Tanto tempo tendo tudo ao alcance atrofiou nossos braços e nossa capacidade de ponderar o que realmente precisamos;

– vamos reestabelecer a relação com o nosso tempo rei. O relógio deixa de ser regido pelos ponteiros sociais e desacelera para uma batida natural, calma e muito pessoal. O dia agora há de começar com neblina e silêncio rompido pelo canto do galo no nascer do sol, um beijo prá buzina dos carros nervosos pela manhã;

– precisamos reinventar nossa maneira de nos sustentar, de nos relacionar com grana. É hora de rever esse “casamento” e nos arriscar numa aventura mais auto-sustentável, bem à moda antiga mesmo. Teremos menos notas na carteira para ter em nosso pedaço de terra mais galinhas e ovos, cabras e leite, hortas verdes e saudáveis, frutas frescas e saborosas, água pura e cristalina, energia solar. Por mais bobo ou inatingível que isso possa parecer, estamos trocando a praticidade do comprar pronto pela (hoje) rara experiência do plantar/esperar/colher;

– acreditamos na evolução como seres humanos e sentimos que precisamos desta escolha para completar tal processo. Viver de forma mais consicente, voltar a um estilo de vida simples, estar mais próximo da natureza, respeitar o outro e a nós mesmos, zelar pela felicidade dos nossos filhos, colocar o amor em seu devido e merecido lugar, dentre tantas outras coisas, faz parte do nosso processo evolutivo;

– estamos nos fortalecendo enquando núcleo familiar, e isso é como multiplicar o amor por 10 mil. Teremos e seremos mais uns para os outros, a rotina há de ser baseada no cuidado e na atenção com nós mesmos. As relações entre pais e filhos, marido e mulher hão de ser reinventadas quando vividas de forma tão mais íntima e sem interferências. Estamos prontos para nos vermos de tão perto, na alegria e na tristeza.

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A lista de razões que nos leva à esta escolha é enorme e ainda acho que não sabemos completá-la, o tempo há de nos ajudar a entender tudinho. Mas deixamos aqui esse diário meio aberto onde vamos registrando as aventuras desse processo que escolhemos viver.

Nossa gratidão e o sorriso mais largo para nossas famílias, que entendem e respeitam nossa alma cigana e inqueita. Aos amigos de todas as horas, à tudo o que vivemos antes de chegarmos até aqui, à tudo o que a vida ainda guarda pra gente, seja onde e como for. Estamos partindo de peito aberto e com a certeza de que a distância não é mais que um cálculo.

A nossa escolha nada mais é por viver uma vida larga, não apenas uma vida longa.

Um beijo e um abraço de urso em cada um de vocês que tem um cadinho da gente.

Manu, Hugo, Tomé e Nina.

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